quarta-feira, 1 de maio de 2013

vida de mãe

A vida de uma mãe começa no momento que ela fala sim pro pai do rebento. Independente se este sim é num altar, num motel ou no bando de trás de uma kombi velha. A verdade é que você se torna mãe antes mesmo de desejar/sonhar com um filho...

A maternindade persegue a mulher desde sempre... nossos presentes são sempre bonecas, coisas de casa... ninguém da uma pasta pra filha e diz: "vai lá filha, vai ser executiva"...

Quando adultas, nossas questões com a maternidade ficam ainda mais latentes...por exemplo:

pensa num momento que você está num lugar cheio de quiança... tipo um parque. Daí tem um desfiladeiro no parque (ok exagero, pode ser um desnível) e uma dessas quianças vai chegando pertinho do "desfiladeiro", sabe, pra ver o que tem ali (o que pode ter ai? uma piscina gigante de bolinhas, todos os backyardigans juntos, o pocoyo dançando com o black eyed peas...) e você ta ali olhando e de repente pá o menino desequilibra. Congela a cena.
Você pensa: posso salvar, vou salvar... (seu útero se contorce, uma criança ali no perigo!)

OOOOBVIO que eu ia querer que alguém salvasse meu filho de tropeçar ali no montinho e abrir a cabeça, mas tem uns pais que fulminam a gente com o olhar do tipo: "como-você-não-salvou-meu-filhinho?" e se você salva o moleque, sempre vem um parente olhando pra você como se você fosse um louco pedófilo...  ou seja... além de responsavel, vc sempre vai ter a culpa de ter ajudado... 

Eu, graças a uma amiga sábia, penso: Não olha, porque se acontecer alguma coisa, a responsabilidade É SUA! ( ta vendo? e nem tem filhos ainda e ja tem mó responsa aí...)

 Outra hora é aquela que depois de um tempo junto com seu parceiro, o povo começa a atormentar e você, ao olhar deles, já ta passando da hora de engravidar... porque não basta ser família, TEM QUE PARTICIPAR, inclusive do coito entre você e seu parceiro... parece que marcam no calendário quando é seu período fértil sua ovulação... se pudessem marcavam até sua temperatura e te avisavam quando era o ideal pra fazer o filho... Dar presentes bacanas, te levar pra viajar, comprar um carro pra você, ninguém quer, mas saber quando foi a última transada, é sussa...
enfim, tem sempre o povo que fica ali na moita (literalmente) perguntando o enfadado "e aí?"... e seguido sempre vem essas:

"quando vocês vão fazer um filho?"

"ta na hora de ter um bebê"

"quando a família vai crescer?"

"você ta mais gordinha... tá grávida?"
 Marido não pode nem fazer um carinho diferente que já vem a pergunta: "temos novidades?"

Entre mil outras coisas que só por D-s (do tipo "tá na hora de você abrir as pernas pro seu marido"- juro, ouvi cada coisa....) você já foi alçada ao papel de "mãe irresponsável" por não estar preocupada com o filho - que nem existe, preocupda com o fazer do cara...e pá. Olha a culpa de mãe (que nem é ainda) pintando...

Eu desenvolvi um certo tipo de aversão a essas questões e não poucas vezes respondi:

"Sabe o que é, nós não gostamos de crianças, preferimos cachorros..." - o que me lembra que uma parente chegou a comentar assustada com nossos pais: "Mas se eles não gostam de criança, como vai ser? Como vão dar continuidade à família..."- penso aqui em mandar um cartão com minha pug usando um brasão desses de família)



e somente uma vez (já grávida, sem poder responder um "Não, não estou grávida" de praxe, pra não dar azar) eu mandei um "Sabe o que é, eu descbri que na verdade eu sou biologicamente de outro sexo, e meus pais, que queriam MUITO uma menininha me criaram assim..."** e morri de felicidade de ver a cara de choque da pessoa... enfim...

a verdade é que grávida ou não grávida, a maternidade vai nos perseguir, e vai continuar do nosso lado depois que nascem os filhos e acho que a levamos com a gente quando partimos desta para uma melhor...
por isso o ideal é conviver com esse lance todo da melhor maneira possivel... o meu lado "materno-fofo" eu ainda to buscando, mas um dia eu chego lá!




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